Como sequestrar seu ídolo - Cena 4







Quarta Cena:  O Conselho do Dr. Kang.


O Dr. Kang olhou sua agenda e verificou que não tinha a última consulta.

Pensou em ir à livraria ali perto e depois almoçar, tendo tempo para descansar um pouco mais, antes da primeira consulta da tarde.

Pegou sua pasta  e o celular satisfeito e, quando abriu a porta, deu de cara com o seu paciente,  o mais chato que já  teve até o momento.

Esse nem deu muita atenção, nem o cumprimentou, passou pelo lado entre ele e a porta, entrou e já foi se deitar no divã  que ficava no lado esquerdo do consultório, atrás da porta aberta. O Dr. volta um passo para trás, virando para o paciente e comenta.

Dr. Kang.-- Pelo que sei, o senhor não tem hora marcada hoje?

Jung – Tenho sim.

Dr. Kang – Não, na minha agenda eu não tenho nada marcado no último horário da manhã!

Jung – Eu sei, mas acabei de marcar com sua secretária. Ela disse que o senhor me atenderia.

O doutor dá dois passos para frente e olha furioso para a atrapalhada jovem de 20 anos, que só é sua secretária por ser sua sobrinha.

Ela levanta alegremente a foto autografada que o rapaz lhe deu, por isso, o doutor coloca uma das mãos no seu próprio pescoço, mostrando que vai enforcá-la mais tarde, fazendo-a rapidamente abaixar a cabeça, disfarçando que está ocupada com os relatórios.

O Dr. Kang respira fundo, preparando-se para atender o jovem irritante. Fecha a porta e vai até a sua mesa, então, põe suas coisas no lugar e se senta cruzando as pernas e os braços, interrogando o rapaz.

Dr. Kang – Provavelmente, vai ter que fazer uma propaganda com cena de beijo, não é?

Jung – Por isso que eu admiro  o senhor, já me conhece, me entende! Como posso fazer isso, Dr.? Sem sofrer  essa angústia?

Dr. Kang – O Senhor tem feito os exercícios que lhe passei?

Jung – Impossível fazer isso! É um absurdo! O Sr. diz para eu fazer essas coisas porque não foi o senhor que passou pelo que passei. É só fechar os olhos, eu  a vejo. Como posso beijar outra desse jeito? 

O Dr.  respira fundo de novo.

Dr. Kang – Mas se o Sr. não faz os exercícios, como quer superar esse trauma? / o Dr. Kang tentou conter a irritação /-- Já teve aquele sonho que sempre tem, antes dos comerciais?

Jung – Não, ainda não sonhei, o comercial é daqui a 4 dias, mas já estou apavorado só de saber que vou me encontrar com ela no pesadelo!

Dr. Kang – Mas nem um contato com qualquer pessoa que lembre ela? Não fez nada que lhe passei?

Jung – Claro que não! Nem pensar em chegar perto de uma gordinha e, se por acaso for ela e ela querer  me beijar, vou morrer do coração! 

Dr. Kang – Pare de exagero. Parece que regrediu em vez de melhorar? Não podemos voltar à  estaca 0.  Faça o exercício do espelho  como ensinei.

Jung – O que faço,  o comercial é muito importante? Não posso recusar!

Dr. Kang – Ou o senhor supera o seu medo  ou desiste de sua carreira! Você é quem tem que decidir, qual é mais forte: o seu medo ou sua ambição?

Jung – Vou tentar! Mas não tem um remédio para tirar ela da minha cabeça? 

Junte, junta as mãos implorando com cara de desesperado.

Dr. Kang – Se ela está aí há tanto tempo, é porque, tem um porquê? Eu já falei sobre isso com o senhor, mas  me ignorou!

Jung – É um absurdo o senhor falar tal besteira, nunca eu senti afeição por aquela maluca!   

Dr. Kang – Não quer admitir, mas, lá no fundo, bem lá no fundo do seu inconsciente, deve ter alguma lembrança que prove que ela não foi só um pesadelo, mas também um sonho. Por isso lhe passei vários exercícios para o senhor tentar recordar sua infância. Mas o senhor não faz nada do que lhe oriento.

O Dr. Kang dá um muxoxo, claramente irritado com a falta de compromisso do paciente.

Dr. Kang - E toda vez que está em apuros, vem que nem louco buscar ajuda! Então, se o senhor não fizer o que lhe aconselho, nunca vai ser curado e essa assombração, como diz o Sr., vai lhe acompanhar pelo resto da vida.

Jung – É impossível o que o senhor diz! Mas não quero ter esse trauma até eu morrer. Vou provar para o senhor que o senhor está errado! Vou fazer o que o senhor diz! Mas, não me culpe, se o senhor cair do cavalo, e seus anos de estudos não valeram pra nada!?  

O paciente se levanta do divã e olha insatisfeito para o Dr. Kang, depois disso, vai até a mesa e se inclina. Encarando o Dr. e fala todo cheio de si.

Jung – Vou fazer isso por um mês, se não tiver resultado quero o meu dinheiro de volta!

Dr. Kang – Quem paga o seu tratamento é o seu avô! Se for para devolver, devolverei para ele!

Jung – Certo! 

Jung dá as costas, falando com a mão direita levantada e apontando o dedo indicador para o teto, depois se vira e aponta o dedo para o Dr.

Jung -- Vou provar que o senhor está errado! 

Antes de fechar a porta, aponta o dedo para o Dr. Kang, o julgando, e sai.

O doutor  pega os papéis que estão em cima de sua mesa. São fichas de pacientes que ele amassa, trazendo até a boca e arranca pedaços com os dentes, tentando conter a raiva provocada pelo jovem arrogante.

Jung entra no carro em que o chofer o espera.

Por todo o percurso, vai remoendo o que o doutor tinha falado, ele não admitia a teoria do psicólogo. Nunca aquela nariguda poderia  significar algo bom  para ele. Ela era apenas seu pior pesadelo.

Foi para o estúdio ensaiar as músicas e a coreografia, ficou mais calado do que o normal, na saída combinaram de comer algo gostoso fugindo da dieta.

Entretanto, como ninguém concordou com o  local, ele e seu colega de trabalho mais chegado vão juntos  para uma simples lanchonete.

Não querendo ser reconhecidos,  usam máscara e moletom com capuz. Traje comum para os jovens tímidos de sua idade.

A lanchonete ficava num bairro afastado do centro, simples mas bem higiênica, conhecida pelo Kau que às vezes comia ali.

Por ser um lugar pouco frequentado, ele podia comer em paz sem ser notado.

Ao entrarem, eles perceberam que eram os únicos clientes nesse horário.

Kau  - Senta! 

Apontando para a cadeira.

Jung – Que lugar é esse? / ele olha para todos os lados com desprezo, antes de sentar. 

Kau – É simples, mas a comida aqui é bem gostosa! E não faça essa cara de nojo, que o lugar é bem limpo, tá!

Jung – Desculpe, mas estou mal-humorado, ouvi coisas com as quais não concordo! 

Olha para a mesa procurando algo. 

Jung - Não tem cardápio? 

 Kau aponta para uma parede onde está escrito o menu da casa.

Jung – prático! 

Uma jovem gordinha vem atendê-los,  é a filha do dono. Ao vê-la, Jung arregala os olhos, respira fundo, abaixa a cabeça e diz baixinho várias vezes para si mesmo: " Não é ela."

Kau, percebendo o apuro do amigo, faz o pedido para os dois. A jovem anota os pedidos e sai rapidamente.

Kau – Não precisa se preocupar. Essa lanchonete é bem assim, já vim várias vezes aqui e nem me deram bola, provavelmente não nos conhecem e o local é sempre assim, pouco cliente, nem moscas têm aqui!

Jung – Não é bem com isso que estou preocupado.

Kau – Então o que é?

Jung – Nada, é coisa minha.

Realmente, a comida era ótima, muito bem preparada. De vez em quando, entrava alguém, comprava comida para viagem e logo saía. O casal parecia preocupado. Enquanto eles comiam, Jung ouviu a reclamação da mulher de que naquele mês não tiveram lucro nem para pagar as contas e se continuasse assim, seria melhor fechar a lanchonete.

Jung olhou para a jovem que estava assistindo a um programa na pequena TV. O pai pediu para ela fazer algo e ela reclamou que depois do comercial iria aparecer a banda kpop que ela estava esperando para ver. O pai reclama.

Pai – Para com bobeira, essas coisas não te dão lucro!

Filha – Ah, pai, agora que eles vão aparecer! Estou esperando um tempão!

Pai – Ser fã não tem vantagem em nada? Vai logo!

Ela pega a sacola e sai para fazer a entrega. Jung fica de olho na TV, mesmo não podendo ouvir por estar muito baixo o som, ele consegue ver a imagem e, para seu espanto, eram eles que a jovem tanto esperava.

Ele pensou muito e era uma boa oportunidade de fazer o que o Dr. Kang vivia lhe falando, então respirou fundo várias vezes e decidiu  o que iria fazer.

Assim que a jovem chegou, foi até o balcão querendo acertar a conta. Diante da garota, tirou a máscara e o capuz, ela deu um grito que assustou o pai e a mãe que estava na cozinha correu para o local para ver o que tinha acontecido.

A menina chorava de alegria ao vê-lo, até explicar ao pai e à mãe o que estava acontecendo demorou. Kau não acreditou no que o colega estava fazendo.

Logo depois, tirou várias fotos com a menina ao seu lado e até fez um pequeno vídeo falando da comida gostosa da  lanchonete que a jovem postou rapidinho no seu perfil.

Antes que Kau pudesse detê-lo, ele apontou para o amigo dizendo que ela também queria o autógrafo dele.

Ele fez questão de pagar a conta e, antes de saírem do ambiente, autografou  a parede onde ficava o menu, foi filmado esse momento.

A jovem agradeceu muito e lhe deu um chaveiro com um trevo da sorte. Depois disso, eles saíram e ela ficou suspirando na porta até o carro deles desaparecer no trânsito. 

No caminho de volta, Kau comentou preocupado.

Kau – Você me assustou hoje! Nunca foi disso, principalmente com fãs daquele tipo. O que aconteceu contigo?

Jung – Primeiro, foi uma recomendação médica; segundo, ouvi eles falando em fechar o local por falta de clientes, então não foi nada cansativo dar uma ajudinha. Espero que nossa presença ali possa melhorar os negócios.

Kau – Sabe, né? Vai chover reclamação do empresário! Não podemos nos expor assim!

Jung – Sim, qual a diferença entre aparecer na inauguração de uma obra de um político e em uma lanchonete?

Kau – A influência, só isso, um pequeno detalhe!

No outro dia, ao se levantar antes do café, ele recebeu a ligação do empresário.

Empresário – Sério que você fez isso? Ficou maluco? Está em todas as redes sociais! Por que razão você faria isso?

Jung – Não achei nada de mau dar o meu autógrafo para uma fã?

Empresário – Ainda mais você, que é cheio de nove horas! Nunca deu bola para esse tipo de fãs? Depois a gente se fala, tenho que resolver os pepinos aqui na agência. Quero saber em detalhes do que aconteceu.

Jung – Tudo bem, eu vou lhe contar, mas primeiro quero tomar  meu café  em paz.

Empresário – Nada de falar com a empresa. Fique de boca calada  e venha para o estúdio ainda pela manhã.

Jung foi para a mesa tomar seu café, logo depois, se lembrou de tudo que aconteceu no dia anterior, até que chegou na conversa com Dr. Kang.

Só foi aí que ele percebeu que ele não teve pesadelo naquela noite e seu comercial seria dali 3 dias e, o mais estranho, não estava tão nervoso como as outra vezes.

"Poderia  o Dr. Kang estar  certo?" Pensou ele: “Impossível, a jovem que abracei para tirar foto não era ela, nem era nariguda, por isso eu não fiquei com medo naquela hora.“

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