KER - Sabor que Encanta
O “motoqueiro” suspeito.
Yoona estava tomando o seu café da manhã na cafeteria da esquina de sua rua, com a avenida principal de seu bairro. Como abriam cedo, às vezes, quando batia a preguiça, era lá que tomava seu desjejum. Geralmente, era a primeira freguesa a entrar e se sentar à mesa. Depois, como sempre, ela pegou a mesa perto da TV de 50 polegadas, presa direto na parede.
Em seguida, o garçom, após servi-la, ligou a TV. Não tendo mais ninguém, ficou sentado na mesa ao lado, ouvindo o noticiário matinal. Começou a passar a notícia sobre um suspeito do crime ocorrido contra a Fábrica Sabor que Encanta.
Quando Yoona viu as imagens gravadas pelas câmeras da rua, mostrando-a tocando a moto em cima do guarda de trânsito como um motorista suspeito, ficou preocupada.
E depois algumas fotos, comprovando que esse motoqueiro estava na agência de propaganda, que pulou o alambrado e deixou o local, fugindo pela rua de trás, ela não acreditou! Havia verificado um dia anterior e não viu nem uma câmera. Só podia ser fotomontagem! Disso ela entendia!
Mas as do interior da agência eram verídicas. Foi pega pela câmera do local. Mesmo tendo o maior cuidado!
Já estava tremendo. Quando o rapaz, 4 anos mais novo que ela, que em segredo tinha uma paixão pela sua cliente favorita, lhe pergunta sem formalidade. Ele sempre a atendia, por essa razão falam sem rodeios.
— Sim! Mas a minha tem uma pintura simples! Entretanto, não é estilizada como essa! A minha só tem duas cores, preto e azul.
Yoona respondeu, escondendo o nervosismo.
— Uh! E não é a mesma placa!
— Acabaram de dizer que a placa é falsa! A minha moto é de segunda mão, tive cuidado em comprar uma moto cuja placa não fosse fria.
— Fria?
— Sim, roubada!
— Não é que esteja desconfiando! Mas, pode conhecer alguém que tenha!? Não faz parte de um clube de motoqueiros?
— Já saí faz tempo, pois eles viajam muito! Não tenho tempo para isso! Preciso trabalhar.
— Mas, não conhece ninguém que tenha uma parecida? / o jovem insistiu.
Ela olhou para ele vagamente, como quem quer lembrar de algo, respondendo em seguida.
— Não que eu lembre, mas não fiz muitos amigos no clube! Por quê?
— Não tenho certeza do dia! Mas vi um motoqueiro com uma moto parecida com essa do noticiário entrar na sua rua.
— Entrando. / ela fez sinal com a mão, mostrando a rua em que morava. / — Moro na sétima quadra. Essa rua é longa, sairá quase em outro bairro. Mas eu mal conheço os meus vizinhos. Não sou de ter muitas amizades! Nem mantê-las. Minhas amigas da escola e faculdade reclamam de mim o tempo todo, por não participar dos encontros, pois só saio com as pessoas com quem trabalho, por ser preciso. Esse motoqueiro que você viu entrar provavelmente deve ter ido a outro lugar, e não na minha casa.
— Desculpe! Só associei, por ter uma moto. E por comentar no ano passado, que iria para Gyeongju com o clube dos motoqueiros.
— É, eu lembro! Foi uma boa viagem! Mas, gastei muito! Desistir por isso! / ela tentava levar a conversa para outro rumo, fazendo-o esquecer do dia em que a viu com sua moto, com adesivos vermelhos. / — Tenho que ralar muito para ganhar um bom dinheiro. E gastar, assim, numa só viagem, é muita tolice. Por isso, a maioria do pessoal do clube é filhinho de papai!
O garçom achou estranho seu comentário; ela morava em uma bela casa e estava sempre bem-vestida, com roupa de grife, quando saía para os seus encontros de negócios. Vivia em casa, indo à cafeteria até 8 vezes no dia. Chegava com cara de quem dormiu o dia todo e tomava seu café despreocupada com as horas. Todos, desde que foi aberta a cafeteria, tinham curiosidade sobre a sua cliente número 1.
O garçom, sendo irmão do dono, trabalhava para ajudar o irmão e garantir sua faculdade. Muito intrigado com isso, um dia ele perguntou sobre o seu trabalho. Mas ela apenas respondeu: Faço o meu trabalho em casa, sou freelancer.
— Se a placa é falsa, deve ser de desmanche! Esses criminosos são muito espertos! Acho que vi esse motoqueiro, do noticiário! Esse que falei que entrou aqui. / o jovem, apontou para a rua lateral. / – Usava um capacete bem parecido!
Ela tenta disfarçar, sendo o mais natural possível.
— A srta. tem que se cuidar! Principalmente, não andar bêbada de madrugada pela rua.
Yoona responde prontamente, irritada.
— Eu não bebo! / ela mordeu os lábios, indignada.
Em seguida, se vira totalmente para ele para tirar satisfação.
— Quando foi que você me viu bêbada?
— Desculpe! Devo ter confundido a senhorita com outra pessoa.
— Ah! Deve ter confundido sim! Porque eu não bebo! / se arrumou na cadeira, sentando-se de frente para a mesa. / — Pode me trazer mais um pedaço de torta?
— Sim! Já vou providenciar!
Ele saiu constrangido. Mas, por trabalharem direto no Natal, na passagem do Ano Novo, a cafeteria fechou. Colocaram um aviso na porta, além de avisarem os clientes pessoalmente. Contudo, ela, no dia 31/12, depois das 16 horas, vinha e batia na porta da cafeteira a cada duas horas. E a cada batida, vinha mais bêbada. Seu irmão e família que moravam na parte de cima do prédio viajaram, deixando-o cuidado do local.
Se não fosse ele. Ela teria sido presa pelos guardas que faziam ronda no bairro. Às 22 horas, ele a acompanhou até sua casa e teve a ideia de passar um cadeado no seu portão, para impedir a sua saída. Ele foi até a sua casa passar o Ano Novo com seus pais, voltando às 2 horas da manhã, e ela estava batendo na porta da cafeteria, pedindo para entrar. Ele não sabe como, sua cliente conseguiu pular o muro de sua casa. Então, resolveu abrir, ela pediu um pedaço de torta e seu café favorito. Depois, ele a seguiu até sua casa. Teve que abrir o cadeado para ela entrar. E, até hoje, pelo que parece, ela não se lembra de nada.
Ela tinha que mudar o rumo da investigação. E faria isso, graças às fotos que tirou por curiosidade no local. Ela não poderia ficar como a principal suspeita do crime. Com sua inteligência, habilidade e seus conhecimentos como hacker, Yoona pretendia jogar ‘merda no ventilador’, para ver a confusão que causaria.
Eram 10 horas e o Dr. Choi estava relembrando a sua noite com Yoo Jin. Para esquecer sua triste história. Sentado à sua mesa e olhando para a janela, começa a tecer o seu plano. Como uma aranha tece sua teia com capricho. Esperava que Yoo Jin caísse nela, como os descuidados insetos. Foi quando ouviu a batida na porta, ele gira sua cadeira, dizendo.
— Pode entrar!
Ji Hoon entra apressado, rindo. Mas, para um metro antes das cadeiras, próximas da mesa do amigo. Olha o Dr. com curiosidade. Inclina a cabeça para um lado e depois para o outro. E pergunta.
— O que foi que aconteceu?
— Por quê?
— Está diferente hoje!
O Dr. Choi passa a mão direita nos cabelos e, em seguida, pergunta.
— Repartir o meu penteado do lado errado?
— Não!
— O meu cabelo está espalhado?
— Não!
— Não sei! Mas, está com um ar estranho! E por que essa preocupação com o seu cabelo? / interroga o detetive.
— É que saí atrasado hoje de casa, corri para chegar a tempo! / responde o Dr. normalmente.
— Dr. Choi, o que fez ontem à noite para se atrasar? – o amigo pergunta, curioso.
— Detetive Lee! Sou suspeito de algum crime?
— Ah! É hábito da profissão!
Jin Hoon se senta diante do Dr. Choi, empolgado com a situação.
— Me conta! O que fez ontem? / o detetive Lee insiste.
— Ji Hoon, você me conhece!
— Um pouco, Dr.! Já te falei o que acho de você.
— Pois bem! Você sabe que tenho vários artigos publicados em revistas científicas.
O amigo concordou balançando a cabeça positivamente.
— E já dei várias entrevistas para jornais.
— Sim! E todas, superficiais, sem prejudicar o trabalho da polícia.
— Fui bem instruído pelo meu superior! / justifica o Dr.
— E daí?
— Nossa! Um Château! E não me chamou Dr.?
— Ji Hoon, você não faz o meu tipo!
— Ahhh! Quer dizer que ontem estava acompanhado de uma mulher?
— Claro que não!
— Ouvi dizer que entrou uma funcionária nova no pedaço!
— Antes fosse! Só que caí do cavalo!
— Por quê? / pergunta o detetive.
— Chequei a popularidade da revista! Acredite! Essa revista não está nem entre as 20 melhores do país!
— É, caiu um pouco devido ao artigo mal feito sobre a operação antinarcótico do ano passado. Mas está preocupado com sua popularidade? No que esse artigo vai lhe ajudar, Dr.?
— Sabe! Do andar onde estamos, só faltam mais 4 para eu chegar no topo! Era para estar dois andares acima. Mas, como todos os estagiários e funcionários, tem medo de mim. Tenho que ficar nesse andar, sei lá até quando?
— E quem é que vai fazer o teu serviço com competência?
— Não pense que passou batido!
— Então, o que fez Jin Hoon?
— Eu pesquisei, Dr. Choi!
— E o que tem para me contar?
— Ao sair ontem daqui, liguei para o Olho de Águia e o Faro Fino, que me encontrassem na fábrica ‘Sabor que Encanta’. Em seguida, fizemos uma varredura no sistema dos computadores deles.
(Olho Vivo – Kim Hyuk Joong e Faro Fino – Kim Won Jae).
— Tenho certeza de que descobriram algo, né, detetive!
— Sim, o sistema da fábrica foi hackeado duas vezes! Uma foi depois das pesquisas para encontrar os sabores dos licores mais populares, e a segunda vez foi 3 semanas antes do evento. Quando já tinham a lista dos participantes. / fala Jin Hoon, empolgado.
— Uh! Foi uma escolha popular, tem certeza?
— Sim, e convidaram 10 pessoas para cada sabor, eram as mesmas que participaram na primeira pesquisa. As 10 principais, que provariam ao vivo, foram convidadas sabendo de sua preferência.
— Então, o que você se conclui, Jin Hoon?
— Fez bem o dever de casa! Pensei que iria esquecer, quando saiu louco do laboratório, ontem.
— Aquilo foi um acerto de contas! Ah! O Olho de Águia achou um ID, mas não podemos rastrear, já foi eliminado! Tenho sorte de ter um profissional competente como ele na minha equipe. Minha equipe é ótima. Entretanto, o Olho de Águia e o Faro Fino são os mais focados!
— Lembro-me muito bem, quando os conheci, estavam em um departamento sem ação. Então, fiz bem em indicá-los para você. Olho de Águia e Faro Fino, e os apelidos que dei ficaram e caíram muito bem para cada um! Não acha?
— No começo, eles reclamavam! Mas se acostumaram.
— E agora! Depois dessa descoberta, o que fará? Já jogou a isca?
— Como sempre vive em outro mundo, pois já cedo foi anunciado o suspeito!
— Sim, é o motoqueiro, Dr.!
— Então, aceitou minha opinião?
— Eu já estava focando nele! Mas quando no relatório, você falou que a pessoa que segurava a máquina fotográfica estava vestida com roupa de couro. Não tive dúvida: é o motoqueiro.
— Como conseguiu pegar o código da mensagem, vou te dar um presente.
O Dr. abriu sua maleta, pegou um pequeno papel dobrado, se levantou, e colocou no bolso da camisa do detetive. Era o endereço que Yoo Jin lhe passou enquanto bebia descontraidamente.
— O que é isso? / perguntou o detetive, pegando, abrindo e lendo o que estava escrito
— É o endereço de uma loja para artigos fotográficos. Mas são poucas que revelaram filmes como o daquela máquina. Lá pode encontrar alguma pista.
— Como conseguiu, doutor? Do seu informante do submundo?
— Claro que sim! De quem mais poderia ser?
— Dr. Choi! Por que não me apresenta o seu informante?
— Ji Hoon. Você entende muito bem como isso funciona! Se te apresentar, estarei morto, e você também!

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