STALKER - Sabor que Encanta. Cap 7
A Reporter Yoo Jin
O Detetive Lee Ji Hoon entrou no estacionamento lateral do Instituto Forense, um pátio grande dividido por 3 largos canteiros de flores e arbustos, protegidos por cercas de madeira, pintadas de branco e azul. As vagas eram separadas por linhas vermelhas, riscadas no chão, nas lajotas de cimento.
O detetive estacionou, como de costume, o mais perto possível da entrada da garagem do prédio, reservada aos funcionários do local e visitas ilustres. Ele saiu do carro apressado, desceu a rampa que atribuía acesso ao elevador, subindo até o 7º andar, onde o Dr. Choi Won Young o esperava no laboratório.
Mediante tudo que o Dr. Choi falava, ele ia anotando, para seguir o raciocínio do especialista. Se alguém conhecia a mente criminosa! Essa pessoa era ele! Graças ao Dr. Choi, vários criminosos, principalmente serial killers, foram encontrados.
— Quer dizer que essa substância ainda não é conhecida?!
— Procurei por tudo, até as mais recentes! Lançamento!? Nada registrado até agora! E no submundo? Nada parecido com o que temos aqui!
— O Dr. continua tendo contato com esse povo?!
— Meu serviço exige muito empenho!
— Cuidado! Não é seguro esse tipo de gente! Se descobrirem que trabalha para o governo! Vai ficar complicado!
— Não é sempre! E, como dessa vez, foi só para achar pista.
— E Achou?
— Nada! A substância ainda está em fase de teste! Ela é um coquetel de extrato de plantas venenosas! Mas tem um espessante comum, conhecido no mercado de pesticidas. Aí eu pensei.
Ji Hoon ficou ligado, o Dr. era ótimo nas suas deduções.
— Por que esse espessante? / continuou o doutor./ — 1º Porque é comum e fácil de encontrar e negociar. 2º Pode ser fabricado por empresas ligadas a pesticidas agrícolas. Uma droga nova para as nossas plantações. O espessante passa com facilidade pela vigilância. Os outros componentes são extratos vegetais, de algum modo, não agridem o meio ambiente. Como eu falei, é uma droga em fase de teste!
— Com que base pode afirmar? Tem certeza? / pergunta o detetive Lee, curioso.
— Claro que sim! /
O Dr. foi até a mesa de experiências, que estava atrás deles, e pegou a bandeja decorada, com os bombons que foram ao ar, no dia da propaganda ao vivo. Colocou na sua escrivaninha, diante do Detetive.
— A prova está aqui!
— Essa foi a bandeja levada para o palco no dia?
— Essa mesma! Estão faltando os 10 bombons que os participantes principais comeram. Dos participantes, 3 eram muito conhecidos! O cantor Kim Bon -Hwa, o judoca Yoo In-Soo e o último vencedor do programa da Batalha na Cozinha. Não lembro bem o nome! Um tal de, Chef Park Mi! Dos 3 que comeram, 1 está bem mal na UTI.
— O judoca, Yoo In -Soo. Esse ainda não deu sinal de melhoras! / respondeu o detetive.
— Ele comeu um bombom de licor de damasco. Quem gosta desse tipo de fruta? Só as pessoas mais velhas, é um sabor exótico e requintado. Mas, não apreciado pelos jovens.
— Sim! Meu pai gosta muito dessa fruta seca! / comentou o detetive.
— O licor também! Só que pelos mais velhos! O interessante é que a fábrica afirmou que os licores não continham álcool. Mas garantia o prazer do gosto dos licores. O objetivo foi montar uma caixa de bombom que agradasse toda a família! Onde crianças, jovens, adultos e idosos seriam beneficiados, com sabores diferentes e agradáveis ao paladar de todos.
— Sim! Esse era o objetivo!
— Quem comeu os bombons de pêssego foram 1 homem e 1 mulher, entre 45 a 60 anos. Além do judoca, mais um senhor comeu só a metade do bombom de damasco, não tendo grande complicação. Eu conferi, nos bombons de licor de pêssego, foram injetados 3 ml da substância. E nos bombons de damasco, 2 ml. Esse criminoso estava testando sua droga. Pois injetou 1 ml nos bombons com licores de morango e cereja. Nos bombons de licores de ameixa, injetou 2 ml. Morango e cereja são sabores que atraem mulheres, crianças e adolescentes. Muitos gostam de licores de ameixa, só que têm fama de laxante. Num programa ao vivo, poucos arriscaram, outros não gostariam de sair correndo para o banheiro, não é!? / o dr. Choi ia relatando os fatos.
— Por que quem comeu, o bombom de damasco está na UTI, se no bombom dele havia só 2ml, como nos de ameixa? Teve quem comeu de ameixa!? / pergunta o detetive intrigado.
— É aí que eu afirmo! Fase de teste! A substância reage negativamente aos componentes da fruta. O assassino sabia! Ele só quis confirmar, e ver se a reação seria igual ou maior que a quantidade de 3ml.
— Então esse louco usou o pessoal da propaganda, todos como cobaias? É isso que o Dr. está me dizendo!?
— Sim! Mas tem um objetivo maior por trás de tudo isso! É nisso que você tem que focar! Eu pesquisei! Coincidência ou não! O judoca é um apreciador da fruta damasco!
— Sério? Onde ficou sabendo?
— Ele se destacou nos jogos nacionais há dois anos! Ganhou várias medalhas, estava sendo apontado como novo integrante da equipe de judô olímpico. Com isso, deu várias entrevistas. E numa delas revelou que ele e o avô comiam damascos juntos, passou a ser a fruta de preferência dele também.
— Está me dizendo que foi injetado 2 ml, sabendo da reação. Esperamos que o resultado fosse igual ou pior que 3 ml?! Então o judoca era o alvo?
— Sim! Acredito que o judoca era o alvo!
— O Song disse que a briga é empresarial! Que a fábrica quase foi à falência ano passado! Era para ter ido a leilão. Mas foi salva no último mês! Tem três empresas fortíssimas, de olho na fábrica de chocolate!
— Acredito que possa ser! Só que pode haver algo ainda obscuro. Para o criminoso, denegrir a imagem da fábrica de chocolate, da empresa responsável pela propaganda, conseguiu enganar a equipe de segurança. Aproveitando que 3 pessoas conhecidas foram envenenadas ao vivo! Faz bem ao ego de todo criminoso! Ele se sentiu o máximo! / concluiu o doutor.
— Deve estar todo cheio de si!? / confirmou o detetive.
— Quem fez? Fez para aparecer! Talvez essa droga seja conhecida por um grupo restrito. E futuramente vai ser negociada. Ele só mostrou o potencial dela! / deduz o Dr. Choi.
— Não está exagerando? Foi um crime ousado e bem elaborado! Nisso eu concordo! Ainda não conseguimos identificar os suspeitos!
— Tem que jogar uma isca! Ainda não aprendeu? / perguntou o Dr.
— Eu sei! E já temos a isca! Só estou esperando o Song me dar mais detalhes das investigações dele! Não posso pular na frente! Infelizmente, estou atado a ele!
— Já se resolveram? Ou ainda continuam brigando a cada encontro? Vocês não pagaram a cerca que derrubaram no estacionamento!?
— E precisa? Não falaram nada comigo sobre isso? / responde o detetive convencido.
— E quem é louco de cobrar de vocês? Em falar nisso, ele já deve estar a caminho!
— Os outros materiais?
— Todos normais! Cabelos e digitais dos funcionários e participantes. Nem uma digital fora da lista de nomes que me passaram. O criminoso pode ser um entre eles. Não é descartável essa hipótese! Pela foto que me mandou, identifiquei a máquina. É uma Canon mais antiga. A pessoa gosta do processo manual. Tipo foto artística manual. Não é uma máquina barata e fácil de encontrar. / o Dr Choi entrega um envelope que pegou na gaveta de sua escrivaninha. Ji Hoon pega e coloca na sua bolsa tiracolo. / — Espero que tudo que descobrimos aqui possa clarear suas investigações, Jin Hoon!
Ambos se levantam.
— Como sempre, Dr. Choi! Sou grato! Sua genialidade sempre me ajuda!
Ao levantar, Ji Hoon olhou para a janela, as cortinas afastadas, davam uma boa visão da entrada do prédio. Ele viu alguém entrando no corredor dos pedestres e reconheceu a pessoa.
— Me dá licença, doutor!? Preciso pegar aquela vigarista!
Acabando de dizer aquilo, saiu às pressas para o elevador, sem se despedir direito do especialista.
O Dr. Choi se virou e foi até a janela, tentando ver a pessoa em questão. Era uma mulher com aparência entre 35 e 40 anos. Trajava um tailleur, típico de pessoa que quer manter a boa imagem. Mas não tinha um corte requintado. Além da bolsa pessoal, carregava mais uma bolsa quadrada, pesada e desconfortável. Não estava com cara animada, e sim de cansada.
Ela estava bem no início do corredor de 40 metros. Uma passagem que comportava umas 5 pessoas lado a lado. O corredor era separado do estacionamento por um muro alto de um lado, e do outro lado, por uma cerqueira natural. A cerqueira separava o corredor do bem tratado jardim, que o instituto mantinha na frente do prédio. Uma área grande com árvores frondosas, canteiros de flores e arbustos. Tinha vários bancos de madeira, para quem quisesse aproveitar o local. Para entrar nesse pequeno paraíso, havia duas escadas de acesso. Uma bem no início do corredor e outra mais próxima da entrada do prédio.
— O que ele pretende com aquela coitada? (Pensou e falou baixo, concluindo sua observação.) — Só espero que ele não se esqueça e se ligue na pista que eu dei!
Ji Hoon desceu e saiu pela porta principal do prédio. Estava na entrada esperando a repórter So Yoo Jin chegar até ele! Mas não se conteve. E gritou!
— É com você mesmo que eu quero falar! / ela, que vinha distraída no caminho, ao ouvir a voz dele, olhou para ver quem era. Ao reconhecer, deu meia volta e tentou fugir. Como os seus sapatos eram de salto muito fino, dificultava correr, apressou os passos, o máximo que pôde.
— Ei!? Você não vai fugir! Hoje tiramos essa história a limpo!
O Detetive Song estacionou seu carro na rua. Ouviu a voz e reconheceu! Só podia ser de Ji Hoon! Correu para a entrada, curioso para saber com quem ele estava falando. Ao ver a repórter, ficou feliz em encontrá-la. Seria ótimo pôr em pratos limpos todo o mal-entendido causado por ela. Correu em direção à mulher que vinha ao seu encontro como um animal cego.
— Por mim, você não passa! Sua mentirosa! / gritou ele, decidido.
Ela parou e percebeu estar em apuros! Não tinha como escapar. Foi aí que tentou fugir, querendo atravessar a cerqueira natural, tentando entrar no jardim do Instituto, talvez pudesse pular o muro, subindo em um dos bancos. Mas a sua bolsa quadrada, onde carregava o equipamento de gravação para as entrevistas, ficou presa nos arbustos. Ela, antes de tentar sair daquela situação. Os dois homens a prensaram. Um de cada lado. Pegaram-na, um em cada braço, a contragosto, ela foi retirada do meio dos arbustos.
— Posso denunciar vocês.
— Faça isso! / falou Ji Hoon, sarcástico! / — Estou louco para pôr você na cadeira, por esconder a verdade! Posso te enquadrar em vários artigos e códigos penais!
— Claro que não! / ela tenta arrumar sua roupa amarrotada.
— Não só ele! Mas, eu também tenho como te prender! / fala o detetive Song, satisfeito.
— Vocês estão me coagindo! Isso é crime!?
Enquanto falavam, eles a conduziram até a escada de acesso ao jardim. Colocaram-na sentada em um banco, ficando na frente, de uma maneira que ela não teria como escapar.
— Desembucha!? Por que não colocou o nome do detetive Lee Ji Hoon, que eu tanto citei na entrevista? Você tem a gravação daquela entrevista, como prova de que falei, umas quinhentas vezes, o nome dele!? Ou não tem? / questionou o detetive Song.
— Não está mais comigo! / respondeu à repórter um pouco envergonhada.
— Mas você confirma que eu citei!?
— Sim! Várias vezes!
— Por que o meu nome não foi citado nos seus artigos? Se eu era o responsável pela operação policial?/
Sem jeito, ela relutou em falar, resmungava coisas que não se entendia. Sem paciência, Jin Hoon dá um soco no banco, bem próximo do ombro dela. Ela grita assustada.
— Vocês vão fazer eu perder o meu emprego! Eu tenho uma filha para cuidar!
Lembrou da cadela que ela tem como sua família. Uma solteirona como ela, batalhando por um emprego decente, não podia ficar desempregada nessa altura.
— Você não tem cara de quem é, ou foi casada!? / falou Song / – Muito menos do que é mãe! Desalmada!
— Fala logo ou vai para a cadeia! Vai perder o emprego por faltar por uns 5 dias! Que tal? / comenta Jin Hoon, zombando.
— Vocês não podem fazer isso?!
— Song!? Liga para o seu distrito e pede um mandado de prisão para esse vigarista.
O amigo tirou o celular do bolso da jaqueta e estava teclando os números, quando ela pediu para parar.
— Está bem! Eu conto! Mas me prometem que não vão fazer nada que vai me prejudicar no meu emprego!? Por favor!? Não tenho idade para correr e ficar fazendo entrevistas por uma vaga miserável.
— Tudo bem! Não vou levar a ferro e fogo! Só quero entender! Por causa desse mal-entendido, a amizade entre nós não é mais, como era antes!
— Peço desculpas, mas não tive escolha. Fazia pouco tempo que estava trabalhando na revista. E aquela reportagem era minha grande chance de apresentar um bom trabalho e me destacar dos outros. Minha superior leu o artigo original. Ouviu a gravação da entrevista. Pediu-me a fita. Eu entreguei para ela, e na minha frente, destruiu! Depois disse que, além da revista, poderia ganhar um espaço no jornal. Um dinheiro extra!? Que maravilha! Pensei, estou me dando bem! Só que ela disse que isso só seria possível se eu não citasse o seu nome em nenhuma parte. Tudo que eu tinha escrito deveria ser refeito, retirando o seu nome. Mas mesmo assim, fiz uma leve menção, referindo-me a você como um dos detetives responsáveis pelo caso.
— Quem é a sua chefe?
— A diretora geral da revista! Você deve conhecer? Ela falou muito mal de você, enquanto me convencia a mudar o meu artigo! De você e de outro policial, chamado SeoK! Disse serem dois grossos! Que não sabem como tratar mulheres com respeito! Arrogantes e estúpidos!
Song presenciava a colocação, concordando.
— Quem é essa megera? Como pode dizer isso sem fundamentos?
— Faz tempo que ela entrou no jornal! Provavelmente já o entrevistou em algum momento!? E foi mal recebida por você! Ela se casou com o dono do jornal e montou a revista. Manda, desmanda e modifica como ela quer nossos artigos. Ninguém é competente o suficiente para ela. Sempre tem algo de errado!
— Qual é o nome dela? / pergunta o Jin Hoon, intrigado.
— Não vai fazer nada!? Você prometeu?! / a repórter estava assustada e com medo.
— Só quero conhecer a peça?! Não vou confrontá-la!
— É a Lee Do Yeon!
— Você a conhece? - pergunta o detetive Song, curioso.
— Não! Que eu lembre! Não!
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