STALKER - Sabor que Encanta. Capítulo 8

 STALKER - Sabor que Encanta Cap 8








O Dr. Choi.


Os detetives ficaram conversando na frente da repórter, combinando um encontro para avaliar as provas.

— Posso ir agora? Estou liberada do interrogatório? Tenho que trabalhar! / a reporte pergunta  irritada.

— Veio fazer o quê aqui? /  indaga o Detetive Song.

— Entrevistar o Dr. Choi Wan Young. Finalmente me ligaram, dizendo que ele aceitou e tem essa tarde livre para a entrevista! / o detetive Song, com a mão direita fechada e o dedo indicador levantado, balançando negativamente, bem na frente do nariz dela, fala convencido para a repórter.

— Não antes de mim! Eu tenho hora marcada! / como antigamente, pôs as duas mãos no ombro de Ji Hoon e depois, com uma, bateu leve duas vezes. / - Então ficou combinado! No final da tarde, nos encontramos no Bar do "Metralha". / o amigo só confirmou balançando a cabeça positivamente.

— Certo! Então vou indo! 

 Song dá um adeusinho debochado, abanando a  mão para a repórter.

O  detetive Lee observa, se divertindo, a cara furiosa dela. Então, após um tempo, pergunta.


— Conhece o Dr. Choi?

— Não! Mas ouvi falar muito dele. Parece ser o terror dos estagiários!

— Então, vou te dar uns conselhos. Não mentir e nem inventar histórias para chamar atenção! Ele sabe muito bem quando alguém está mentindo para ele! Ele não suporta perder tempo com idiotice!

— Pelo visto, o conhece bem! São amigos?

— Posso dizer que sim! Ah! Portanto, não fique chateada se ele for muito franco! Às vezes as verdades doem! Certamente, ele não faz isso por maldade! 

 Ji Hoon não esperou ela responder, deu as costas e saiu do jardim,  e seguiu para o estacionamento.

Antes de entrar no carro, olhou a cerca que ele e Song derrubaram. O guarda do estacionamento estava observando-o. Ji Hoon acenou com a mão direita, e o guarda retribuiu. Entrou no carro e saiu pensando em tudo que ouviu do Dr. Choi. Enfim, estava curioso em saber o que Song  acharia de tudo aquilo?! 

So Yoo Jin ficou no jardim se arrumando e verificando se não esqueceu nada de importante. Levantou e viu que um fio da perna direita de sua calça estava puxado. Xingou os dois, mesmo que trabalhasse na revista e escrevesse artigos para o jornal ocasionalmente. Não tinha um salário decente, com o qual sonhava, e com o qual pudesse gastar dinheiro à toa, sendo econômica em tudo. Escolhia roupas com cores neutras e corte básico, que não cairiam de moda de um ano para o outro. Aquele conjunto já estava com ela, há alguns anos e em bom estado. Aquele fio puxado comprometia um apresentável tailleur, talvez o melhor que tinha para trabalhar.

    Após meia hora, deixou o jardim chateada, seguiu o caminho entrando no prédio e, por fim, conversou com a recepcionista, se identificando. A recepcionista avisou que poderia subir. Estava na frente do elevador e, quando abriu, o detetive Song saiu provocando-a.

— Pode subir, boneca! – deu uma piscadinha maliciosa ao passar por ela. Yoo Jin respirou fundo para   manter a calma, seu dia já estava estragado, e num desabafo, fala para si.

— Palhaço!

Seguindo a orientação da recepcionista, seguiu o corredor à esquerda do elevador. Onde ficavam as salas da frente do prédio do instituto. Na sala indicada, bateu 3 vezes. Não houve resposta. Mas, de trás dela, uma voz masculina marcante justificou.

— Desculpe! Eu ainda estava no laboratório! / um homem com um porte atlético e perfumado pede licença, tirou do bolso do jaleco impecavelmente branco um chaveiro, com várias chaves, separou uma e abriu a porta. Entrando, ficando do lado de dentro da sala, ao lado dela, segurando o trinco da porta, esperando que Yoo Jin entrasse. Como não houve nenhuma ação da mulher, ele comenta.

— Por favor, senhorita! Entre! 

  Ela entrou em uma sala decorada com requinte. Quadros, vasos, lustres, móveis de alto valor. Não esperava uma sala assim num departamento do governo. Seu semblante denunciou sua desconfiança, e a resposta veio rápido.

— Não se espante! O governo não é tão generoso! Quando fui promovido, pedi ao meu superior a liberdade de decorar minha sala. Portanto, tudo saiu do meu bolso! Certamente, quando me aposentar, terei direito de levar comigo.

— Primeiramente, percebi que esse ambiente não se compara com outros departamentos do governo que já conheci. Não é que o governo seja mesquinho! Mas é mais prático e funcional na mobília de seus ambientes.

— Sim! Mas enjoa! Portanto, se vou passar por um bom tempo em um lugar! Que ele seja do meu agrado! Não concorda?

— Sim! Eu concordo! E o Dr. tem bom gosto!

— Obrigado! Vamos nos sentar! 

 Ele apontou para o lado direito da sala, onde havia 3 poltronas confortáveis e uma mesinha de centro. Ela foi e se sentou na primeira poltrona. Até se sentiu melhor, seu traseiro foi acolhido por uma superfície super macia. Ele ficou no lugar e perguntou.

— Quer beber alguma coisa? Água, chá, café ou suco!?

— Água, por favor!

— Gelada ou natural?

— Natural! Por favor!


Ele foi para o lado esquerdo. Encostado na parede, ficava um balcão comprido, onde havia um bebedouro, um frigobar, uma máquina de café e um bule elétrico. Ele abriu a porta do balcão e pegou dois copos de cristal, enchendo-os. Andou na  direção da repórter e se sentou  na poltrona, de frente para ela.

Enquanto ele vinha,  Yoo Jin observava: “Se esse homem gosta de impressionar as pessoas! Ele conseguiu me impressionar!” Pensou a repórter que até então, só entrevistou vítimas de crimes, bombeiros, criminosos, e civis que realizaram feitos heroicos.

Era a primeira vez que a revista se interessou em apresentar o Instituto Forense. No próximo mês, faria aniversário de 150 anos, e o Doutor era citado como o melhor na área, desde que iniciou como funcionário concursado. Só como nenhum dos outros repórteres mais experientes, queriam entrevistá-lo. Sobrou para ela o serviço.

Além da entrevista com o Diretor Geral de Criminalística, seria contada a história do Instituto, sua fundação no primeiro local e depois sua transferência para o prédio atual, construído nos fundos da Universidade, que passou a oferecer o melhor curso de Medicina Legal Forense e de pós-graduação de Ciências Forense e perícia Criminal. Também seria comentada a atuação do Instituto ajudando nos casos complicados de serial killers.  

O Dr. Choi estende o braço, ela pega o copo de cristal que ele lhe ofereceu e, com cuidado, bebe para não deixar a marca do seu batom, sorriu como agradecimento e colocou o copo sobre o porta-copo que ele colocou na mesa.

— Obrigada, Dr. Choi! Podemos começar? Para não ficar tão chato, podemos fazer perguntas um para o outro, para descontrair. Assim nos conhecemos um pouco e depois eu começarei fazendo as perguntas relacionadas à entrevista. Pode ser?

Ele a observou da cabeça aos pés, um olhar penetrante que a deixou perturbada. Ouviu os comentários dos colegas da revista, que ele era um homem de alto QI, e que não gostava de falar de sua vida pessoal. Certamente, aquele olhar era um não.

— Sobre o que quer falar, para que eu me sinta descontraído?

— O senhor já foi entrevistado?

— Sim! Várias vezes! Antes de trabalhar na minha área, foi estagiário. Primeiramente, pertencia à equipe de campo. Quando solicitada, nossa equipe recolhia as amostras. Na saída sempre tinha um repórter, querendo saber mais do que podia saber. As entrevistas solicitadas, a pedido do meu superior, eram eu que fazia.

— Ah! Já tem experiência! Posso entrevistá-lo que tudo correrá bem! Claro que, se quiser que eu corte algo que falou e achar desnecessário ser escrito no artigo, fique à vontade em me notificar.

— Farei se for preciso! / disse o Dr. prontamente.

 O olhar sagaz dele parecia que algo havia de errado com ela. O que seria? Yoo Jin pensou, bebendo mais um gole de água.

— Por favor! Posso fazer uma observação? - pediu  ele educadamente.

— Sim! Fique à vontade!

— Com certeza, a noite deve ter muitas dores nas costas! Portanto, deve dormir com adesivos contra dores. Mas, nem os adesivos e os analgésicos que toma, vão resolver de vez o problema. Se não quiser sofrer de hérnia de disco e bico de papagaio, eu aconselho aposentar qualquer sapato alto, principalmente os de saltos finos, como esse. Não deve carregar essa bolsa quadrada, que deve ser muito pesada para a sua estrutura física. Creio que têm vértebras gastas por causa dela.

 Ela não sabia o que dizer. Então, comentou.

— Obrigada! Certamente, irei procurar um médico para tomar a devida providência!

— A única providência que deve tomar é cuidar melhor de sua saúde! Tem a aparência de alguém que se alimenta mal e dorme tarde. E nos dias com folga, em vez de cozinhar algo saudável! Come porcaria e bebe além da conta! Assiste a filmes dramáticos, usando-os como desculpas para chorar. Quer saber por que chorar? - Ela, assustada, responde.

— Não! Eu sei muito bem! 
 Todas aquelas palavras amargas, ditas por um desconhecido, fizeram-na refletir: "Será que eu revelo isso?! As pessoas conseguem ver que eu levo uma vida miserável?! Ou só ele é capaz de ver o que eu tento esconder!?"

— Não precisa se preocupar! Nem todas as pessoas são observadoras como eu! Infelizmente, o meu trabalho exige isso de mim. Mas acredito que foi criada em uma família muito carinhosa. Esse carinho ainda traz consigo. A sua base familiar é o que até hoje lhe mantém forte. 

 Um nó na garganta fez ela tossir, então pegou o copo para tomar mais um gole de água.

Sem perceber, não pegou o copo com firmeza e, quando foi pô-lo na mesa, esse escorregou de sua mão e caiu. Antes de tocar no chão, o Dr. Choi, com um reflexo impressionante, se inclina e segura o copo.

— Desculpe-me!

— Não foi nada! Primeiramente, eu que peço desculpas! Certamente, mexi com o seu emocional! 

 Ela não sabia, ao certo, se ele era mesmo irritante ou fazia aquilo por prazer.





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