Capítulo 12. No meio da tarde.
Amir, foi conduzido por uma enfermeira até o setor dos exames de imagens. Estava na sala de espera, aguardando a sua vez. Ele, por reflexo, virou seu rosto para o lado esquerdo, ao perceber, movimento e ouvir alguém falando. Não, acreditou no que viu. Esfregou os olhos para ter certeza. Um enfermeira levava uma senhora numa cadeira -de -rodas. Explicava com paciência, como seria o seu exame. Amir, se levantou do seu lugar, e foi ao encontro, só que que a enfermeira virou, para a direita, num outro corredor, antes da sala de espera onde estava ele. Amir, apressou os passos, e ao entrar no corredor onde elas estavam, chamou a paciente.
- Senhora Esmeray? Enfermeira! Por favor, espere!
Entretento, não houve nem uma reação, nem a enfermeira, muito menos da paciente, não lhe deram atenção. Continuaram andando, até a sala de espera da tomografia. Contudo, no balcão onde a enfermeira deixou as guias para o exame daquela paciente. A enfermeira chefe, ouvindo Amir chamando pela senhora Esmeray, saiu de trás do balcão, e foi ao seu encontro.
A mulher, olhou ele de cima a baixo. Percebeu quem era, que estava internado no hospital.
- Posso lhe ajudar em alguma coisa, senhor?
- A mulher que acabou de entratar naquela sala, eu tenho que falar com ela.
- O senhor a conhece?
- Sim, é a senhora Esmeray!
- Acho que está enganado senhor! A ficha dela, está no balcão. E ela não tem esse nome. Deixa eu ver. Por favor me siga.
Eles foram até o balcão. A enfermeira chefe, pegou a prancheta com as guias, mostrando para ele, o nome da paciente.
- Não pode ser! Deve haver algum engano! Tenho certeza, que a mulher que entrou, é a senhora Esmeray. Posso entrar para confirmar.
A enfermeira percebeu, que ele, estava convencido do que viu. Então foi mais enérgica.
- Não posso deixá-lo entrar. É uma área restrita, só quem vai fazer os exames, que podem entrar. Pelo que vejo, o senhor está internado. Vai fazer algum exame nesse setor?
- Ah, não! Estou esperando para fazer um ultrassom. Só, que quero ver aquela senhora.
- Desculpe, mas, peço que vá para a sala de espera do ultrassom, se ficar aqui, vai atrasar o trabalho dos atedentes.
- Essa senhora, pode me dizer em que quarto ela esta interneda?
- Ela, não é paciente do nosso hospital.
- Como assim?
- Essa senhora, veio do hospital universitário. Parece que o aparelho, lá não está funcionando. Então, mandaram ela para o nosso hospital. Ela, só vai ficar aqui até fazer os exames, e provavelmente uma ambulância virá buscá-la.
Nesse momento, um enfermeiro apareceu naquele corredor, chamando pelo nome de Amir.
- É o senhor?
- Sim, sou eu./ Amir respondeu ao enfermeiro. Depois falou com a enfermeire-chefe.
- Pode me dizer, se o exame dela demora muito?
- Não sei te dizer. Isso depende do especialista. Entretanto, não deve demorar muito.
- Preciso falar com essa mulher.
- Senhor Amir Keskin! É a sua vez. / Chamou mais uma vez o enfermeiro no corredor.
- Senhor, deve ir fazer o seu exame.
- Sim, eu vou. Contudo voltarei para ver aquela senhora.
Amir virou, e foi ao encontro do enfermeiro, que já estava impaciente com a sua demora. Mal entrou na sala do seu exame, e pediu para o especialista, ser o mais rápido possível. Um pedido, um pouco contraditório, pois quem estava causando a demora, era justamente ele.
Assim, que Amir saiu do local, a enfermeira chefe, entrou e foi falar com a paciente. Pediu para a outra enfermeira deixar a paciente com ela.
- Ele ainda esta ai fora?
Perguntou a mulher demostrando nervosismo.
- Não, ele foi chamado para fazer uns exames.
- Como ele me reconheceu? Já faz tanto tempo!
- Isso não vez ao caso. Precisamos levá-la para o quarto sem ele saber. Ele, quis saber o seu quarto. Dei uma desculpa esfarapada. Entretanto, creio que não foi o suficiente, ele quer vê-la depois dos exames. Vou avisar o Ozan, sobre isso. A senhora segue fazendo os seus exames. Eu irei levá-la para o quarto e resolver essa confusão.
Ozan atendeu o celular, por um bom tempo ficou ouvindo. E depois de 3 minutos, perguntou espantado.
- Internado? Tem certeza?
- Sim, chequei o sistema. Ele foi internado às 13:38. Foi atendido pelo Dr. Rui, um cardiologista da equipe do Dr. Lair. Está fazendo vários exames. E na ficha, está anotado, que o Dr. Lair vai vê-lo amanhã. Só, para ver se tem condição de receber alta.
Falou a enfermeira-chefe, dando os detalhes do paciente.
- Não pensei que a notícia das mortes, iria abalar tanto seu emocional. Não pareceu que estava preocupado, só se recusou a contar para o pai sobre a tragédia. Para mim, até pareceu um tanto frio em relação a notícia.
- Ele, não estava assustado! Pelo que percebi, ele tem certeza de ter visto a senhora Esmeray, e não o fantasma dela. Estou com ela na ala da tomografia. E ele está lá fora no corredor, esperando por ela. O que eu faço Ozan? Ele, viu o rosto dela, e não acreditou, que ela é outra pessoa. Ele questionou sobre o nome. Disse, ter algo errado. Se ele forçar e pressionar a senhora Esmeray, ela é um tanto assustada. Pode se entregar facilmente.
- Diz que ela, é uma paciente com trauma psicológico, que ele não pode falar com ela. Já que você disse que ela não é paciente do hospital. E você é a responsável por ela, até a ambulância ir buscá-la. Não deixe em hipótese alguma ele chegar perto dela. Deixe ela na enfermaria por enquanto. Estou indo para o hospital para resolver isso. Enrole ele, até eu chegar.
- Se o hospital ficar sabendo, do que eu estou fazendo, posso perder meu emprego! Estou deixando o meu setor, para ficar de babá para a senhor Esmeray!
- Não precisa se preocupar com isso! Te dou minha palavra que você não vai perder o seu emprego, minha irmã! E o senhor Raif, tenho certeza que vai lhe recompensar.
- Assim espero! Ozan! Por favor vem logo.
- Já estou indo.
Ozan, fez uma ligação, pediu desculpas e desmarcou o encontro com a sua namorada. Foi para o hospital, organizando todas as informações. Ele, precisava ter um ótimo argumento e uma boa história para convencer Amir, que aquela não poderia ser a senhora Esmeray. Mas o que fazer?
Alguns detalhes do plano, dele e do senhor Raif, saíram dos trilhos. Agora outras medidas, deveriam ser tomadas. Entretanto, não queria, dar preocupação ao senhor Raif. O seu patrão ficaria atormentado, se soubesse, que Amir,estava, internado. Como contaria para o senhor Raif, que Amir viu a senhora Esmeray no hospital? E como isso afetava todo o esquema que eles combinaram para esconder a verdade de Amir?
Amir estava no corredor, como um vigia incansável, atento toda as vezes que a porta da ala da tomografia se abria. Ele, pensou em entrar, só que a enfermeira foi tão ríspida, deixando bem claro, que aquela ala, era restrita para alguns pacientes. Portanto, resolveu esperar.
A enfermeira-chefe, pegou um travesseiro e deu para a senhora Esmeray, dizendo.
- Use isso para esconder o rosto. Ele a viu de longe. Então, pode ser que ele, não tenha a plena certeza. Vamos arriscar sair agora.
- E se ele tentar tirar o travesseiro? Ele, é bem impertinente, pelo que lembro. Depois que assumiu os negócios da família, mudou da água para o vinho, e mostrou as garras.
Falou a senhora Esmeray, lembrado do dia do despejo. Amir não deixou elas levarem nada do apartamento, além das roupas e objetos pessoais. Nem seus vasos de flores, que dona Esmeray cuidava com zelo, nem isso pode levar com ela.
- Ele não vai fazer isso, comigo aqui! O Ozan, falou para fingir ser uma louca. O Sr. Amir poder ter toda essa pose! Contudo, é um belo covarde! Ele nunca se aproximaria de um louco. Ele tem medo, pois foi agredido por um ex funcionário que enlouqueceu. O Ozan me contou que depois disso, ele tem receio de se ficar perto de pessoas com distúrbios mentais.
- Mas como eu finjo ser louca? Nem sei como faze isso!
- Ah! Se agarra com esse travesseiro, e finge ser um bebê de colo, se ele ficar perto, tenta morder, rosna para ele, só não fala com ele. Pois, ele pode reconhecer a sua voz.
Explica a enfermeira-chefe.
Elas saíram do local. A enfermeira chefe, empurrava a cadeira de rodas, e a senhora Esmeray, vinha se balançando de um lado para o outro, com o travesseiro preso em seus braços, de uma maneira que parecia ser um bebê de colo. Entretanto, o seu rosto estava completamente afundado no travesseiro. Dificultava a sua respiração. Mas, se mantinha firme no papel de uma mulher com distúrbios mentais.
Amir, que estava encostado na parede, se arrumou espernando por elas. Contudo, notou aquele comportamento estranho. E assim, que chegaram perto ele pergunta.
- O que houve com ela? Por que está assim? Ela, saiu diferente, de como entrou!
- Isso acontece as vezes, paciente com disturbios mentais, ficam agitados depois dos exames. Alguns, até temos que amarrar no equipamento, para comcluir os exames.
J á de cara, a mulher adverte Amir, sobre a doença da paciente. Amir, deu um passo para trás, se afastando da cadeira de rodas.
- Ela é louca? / pergunta Amir assustado.
Amir, ficou espantado com a notícia. A enfermeira chefe, sabendo de toda a história, aproveitou para cutucar Amir, tentando mostrar para ele, o mal que causou por ser tão imaturo.
- Sim, essa coitada, tem sofrido tanto!
Ela apontou para um canto do rosto, que estava `a amostra, onde se podia ver a pele avermelhada, e as cicatrizes inestéticas.
- O que foi isso?
- São sequelas de queimaduras! Graças as ongs, os pacientes de queimaduras podem fazer cirurgias para poder se livrar das cicatrizes. Essa mulher teve a metade de seu rosto todo queimado. Pelo que vi na ficha dela, ela já fez 3 cirurgias. São os bons empresários que doam dinheiro, e mantém essa boa ação.
Amir se sentiu envergonhado no momento. A irmã de Ozan, sabia muito bem, que na época da tragédia, Amir, se negou a fazer uma doação. O senhor Raif, fez as escondidas. Ainda mais, depois que encontrou mãe e filha em uma situação tão sofrida.
- Ela é vítima da tragédia de Gessecundu, por acaso?
A mulher percebeu que foi longe demais, dando uma pista, quem era a paciente.
- Não sei lhe dizer rapaz! Só sei que ela veio fazer os exames aqui, porque onde ela estava, o aparelho quebrou. E isso que falei, está na ficha dela. Ela é uma mulher louca, perturbada, e com traumas. Peço que a não incomode, tenho que manter ela calma, e ela já tomou um calmante antes de fazer os exames.
- O nome dela, é esse mesmo, Sila Akbas? Poder ter havido algum engano, já que ela é louca.
- Não sei, meu rapaz, esse é o nome que está na ficha. Portanto, deve ser o nome dela.
Eles iam andando, enquanto conversavam. Entraram no elevador e saíram, até chegar no setor da enfermaria. A enfermeira-chefe, impediu a entrada de Amir, no quarto onde havia 8 camas, onde a paciente foi colocada em uma delas, a senhora Esmeray ficou ali junto com outras pacientes. A mulher saiu advertindo, que ele não poderia entrar. Amir, ficou olhando por uma parte vidro, que tinha a porta. A senhora Esmeray, se esmerou em passar uma total alienação. Continuava balançando o travesseiro feneticamente, de vez em quando espiava se ele, já tinha saído da frente do quarto, onde estava.
- Vamos moço? Temos que deixá-la descansar!
- Por que ela agarra e balança tanto aquele travesseiro?
- Provavelmente, porque perdeu alguém muito importante para ela, uma criança, um bebê, um filho. Alguém que ela amava.
Amir, sentiu um aperto no coração. Tentou disfarçar a dor.
- Se ela não é paciente desse hospital, de onde ela vem? Ela, fica o tempo todo no hospital Universitário? Ou tem outro local onde ela vmora?
- Não sei, meu rapaz, essa paciente não é nossa. Portanto, só sei o nome e as informações que estão na ficha dela.
A enfermeira feche já estava incomodada com tantas perguntas. E não sabia como dispensá-lo.
- Quando ela vai embora? É para onde vai?
- Não sei meu rapaz! Provavelmente, para alguma casa de repouso. / a enfermeira pensou, logo na casa de repouso conveniada com o hospital, onde seu tio era o vice-diretor. Ozan que cuidasse do resto. Ela, só pensava em se ver livre dele. Contudo, soltou uma pergunta um tanto direta.
- Está tão preocupado com essa paciente, Por quê? Que eu sei, ela não tem nem um responsável por ela! O senhor quer ser o responsável por ela? Quer cuidar dela?
- Ah, não! / prontamente, falou Amir tentando se livrar da responsabilidade.
- Se quiser, tem que entrar com um recurso. Eu posso ajudar. Assim, o senhor pode ser responsável por ela.
- Eu tenho que ir para o meu quarto! Obrigado pela atenção. Ela se parece muito com uma senhora, conhecida da minha família. Mas, talvez eu só confundi. Eu vou indo.
Amir, deu uma desculpa, tentado o tirar o corpo fora. Nunca ficaria com uma louca em casa. Mesmo sendo a senhora Esmeray.

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